Abrir outra empresa para pagar menos imposto: ainda funciona?
Dividir o negócio em duas empresas para pagar menos imposto era uma estratégia comum. Mas com a Reforma Tributária, as regras mudaram — e o que funcionava antes pode sair mais caro hoje.
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Imagina o seu Carlos, dono de uma distribuidora em Caruaru. Ele ouviu de um conhecido que abrir uma segunda empresa — uma no Simples Nacional (regime tributário simplificado para pequenas empresas) e outra no Lucro Presumido (regime em que o governo presume qual é o lucro da empresa para calcular o imposto) — era o caminho certo para pagar menos imposto. Ele abriu. Dois CNPJs (Cadastros Nacionais da Pessoa Jurídica), dois contadores, dois conjuntos de obrigações. E no fim do ano, percebeu que gastou mais do que economizou.
Essa história se repete mais do que você imagina. A resposta pra pergunta do título é: depende. Mas, na maioria dos casos, abrir outra empresa sem entender seus números primeiro é trocar um problema por dois.
O que mudou com a Reforma Tributária?
A Reforma Tributária está em andamento no Brasil. Ela muda a lógica de como os impostos funcionam para empresas de todos os tamanhos.
O que está chegando:
- O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) substitui o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e o ISS (Imposto sobre Serviços).
- O CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) substitui o PIS e o COFINS (contribuições federais sobre o faturamento).
- O IS (Imposto Seletivo) incide sobre produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Esses três impostos formam um novo sistema. E ele muda a conta que muita gente fazia antes de abrir uma segunda empresa.
Antiga lógica: dividir a operação em duas empresas, cada uma num regime diferente, para reduzir a carga tributária total. Parecia simples. Em muitos casos, funcionava.
Nova realidade: o novo sistema está sendo desenhado justamente para fechar essas brechas. O que gerava economia antes pode não gerar mais — e pode até gerar custo.
Por que abrir outra empresa sem dados é uma aposta?
Pense na dona Fernanda, que tem uma rede de estética em Recife. Ela está pensando em abrir uma segunda empresa para separar os serviços de venda de produtos. A ideia parece boa no papel. Mas sem um diagnóstico real dos números dela, essa decisão pode:
- Aumentar os custos fixos — dois CNPJs significam duas folhas de pagamento de contador, duas declarações, dois conjuntos de obrigações com o governo.
- Gerar dívida com o fisco (imposto que ainda não foi pago) por erros no enquadramento tributário.
- Não trazer a economia esperada, porque o regime escolhido pode não ser o mais vantajoso para a atividade dela.
Decisão sem dado não é estratégia. É palpite. E palpite em tributação sai caro.
Três perguntas que você precisa responder antes de decidir
Antes de abrir, fechar ou reorganizar qualquer empresa, responda isso:
1. Qual é o meu faturamento real — e o que devo faturar nos próximos 12 meses?
O faturamento define em qual regime tributário sua empresa pode ou deve estar. Se você está crescendo, pode estar saindo do Simples Nacional sem perceber. Se está retraindo, pode estar pagando imposto num regime mais caro do que o necessário.
2. Qual regime tributário faz mais sentido para a minha atividade hoje?
Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real (regime em que o imposto é calculado sobre o lucro real da empresa) — cada um tem regras, vantagens e limitações diferentes. E com a Reforma Tributária em andamento, essa análise precisa considerar também o que vem pela frente, não só o que vale hoje.
3. Abrir, manter ou reorganizar — o que os números indicam?
És só depois de ter as respostas às perguntas 1 e 2 que faz sentido discutir estrutura. Talvez a segunda empresa seja a decisão certa. Talvez a reorganização da empresa que você já tem seja suficiente. Só um diagnóstico real responde isso.
O que é esse diagnóstico, na prática?
Diagnóstico tributário (uma análise detalhada da situação fiscal da sua empresa) é o processo de revisar:
- Como sua empresa está enquadrada hoje.
- Quanto você está pagando de imposto — e quanto deveria estar pagando.
- Se a estrutura atual faz sentido para o seu tamanho, atividade e projeção de crescimento.
- Como a Reforma Tributária vai impactar especificamente o seu negócio.
Não é um processo complicado. Mas precisa ser feito por quem entende de tributação — não com base no que o vizinho fez ou no que você ouviu numa live.
A estratégia de dividir empresas ainda pode funcionar?
Sim. Em alguns casos, manter operações em empresas separadas ainda é a decisão mais inteligente. Mas isso depende de variáveis específicas: tipo de atividade, volume de faturamento, estrutura de custos, perfil dos clientes e impacto da Reforma Tributária no seu setor.
O problema não é a estratégia. O problema é tomar a decisão sem saber se ela se aplica ao seu caso.
Perguntas frequentes
É ilegal abrir uma segunda empresa para pagar menos imposto? Não, se for feito corretamente. Usar estratégias legais para pagar menos imposto é chamado de planejamento tributário — e é totalmente permitido. O problema surge quando a estrutura não tem propósito real além de reduzir imposto, o que pode ser questionado pelo fisco. Por isso, a decisão precisa ser bem fundamentada.
Com a Reforma Tributária, vale a pena esperar para tomar qualquer decisão? Não necessariamente. A transição para o novo sistema é gradual e vai durar anos. Esperar pode significar continuar pagando mais do que deveria agora. O ideal é fazer um diagnóstico considerando tanto o cenário atual quanto o que vem pela frente.
Meu contador já cuida disso. Preciso de outra avaliação? Depende. Nem todo contador é especialista em planejamento tributário — muitos focam na parte operacional (declarações, obrigações mensais). Se você nunca fez uma análise estratégica da estrutura tributária da sua empresa, vale a pena buscar essa avaliação específica.
Dado, não palpite
Abrir outra empresa pode ser a decisão certa. Ou pode ser um erro caro. A diferença está nos números — e em entender como a Reforma Tributária muda o jogo para o seu negócio.
Se você está considerando essa decisão, o melhor caminho é conversar com quem pode analisar o seu caso com cuidado. Na JNB Advocacia, a gente faz esse diagnóstico com você — e ajuda a decidir com base em dado real, não em achismo.
Este texto tem caráter informativo. Cada caso requer análise individual. Para uma avaliação personalizada, fale com JNB Advocacia.